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报告摘要
Resumo do Boletim Macro IBRE - Outubro de 2016
1. Core Content
O Boletim Macro IBRE de outubro de 2016 analisa as descontinuidades entre expectativas e realidade econômica no Brasil, destacando a persistente desinflação, a fraca atividade econômica e a tensão entre otimismo de mercado e pessimismo estrutural. A análise abrange diversos setores, incluindo atividade econômica, mercado de trabalho, inflação e política fiscal, com foco na desinflação, na recessão e na necessidade de reformas.
2. Main Points
Inflação e Expectativas
- A inflação no setor de serviços e no núcleo (excluindo alimentos e administração) permaneceu acima de 7% em setembro.
- A desinflação em 2016 foi impulsionada principalmente pela queda dos preços dos alimentos, que está se consolidando.
- A expectativa de inflação para o ano de 2016 é de 7,1%, com o núcleo previsto em 5,9%.
- A desinflação não está sendo acompanhada por uma recuperação robusta da atividade econômica.
Atividade Econômica
- O PIB do terceiro trimestre de 2016 teve desempenho negativo, com uma taxa de -3,4%.
- A produção industrial recuou -4% em agosto, revertendo todo o ganho acumulado em 2016.
- O consumo das famílias e o investimento continuam fracos, com taxas de -4,4% e -9,2%, respectivamente.
- A expectativa de crescimento para 2017 é de 0,6%, mantendo-se estável apesar da desaceleração recente.
Mercado de Trabalho
- A taxa de desemprego aumentou pela oitava vez consecutiva, atingindo 11,8% no trimestre findo em agosto.
- Houve redução no ritmo de demissões formais, mas ainda abaixo das expectativas.
- A PEA (População Economicamente Ativa) cresceu mais lentamente, indicando o "efeito desalento" — desistência de busca por trabalho.
- A taxa de participação (PEA/PIA) caiu para 61,4% em agosto, sinalizando uma redução na participação da população no mercado de trabalho.
Expectativas de Empresários e Consumidores
- Os índices de confiança mantiveram uma tendência de alta, mas ainda estão desalinhados com a realidade.
- A confiança empresarial e do consumidor foi impulsionada principalmente por expectativas, não por melhora na situação atual.
- A expectativa de recuperação do consumo está ligada à redução da inflação e dos juros reais, ainda não observada.
- O consumo das famílias está em níveis recordes de alavancagem, mas com cautela.
Política Fiscal
- A PEC 241/16 é considerada um passo importante para corrigir o desalinhamento entre gasto e receita.
- A proposta estabelece um teto para as despesas primárias, que será calculado com base no gasto do ano anterior e na inflação acumulada.
- O sucesso da PEC depende de reformas complementares que reduzam o crescimento inercial dos gastos.
Setor Externo
- A balança comercial prevê um superávit de US$ 48 bilhões em 2016, mas há risco de reversão com a recuperação da economia.
- O déficit na conta corrente é estimado em US$ 16,5 bilhões em 2016.
- Para 2017, o superávit comercial é previsto em US$ 36 bilhões, com déficit de US$ 26 bilhões na conta corrente.
- A valorização cambial reduz a rentabilidade das exportações, mas pode ajudar a equilibrar o balanço comercial com uma aceleração do crescimento.
Análise Internacional
- A desaceleração da pressão deflacionária na Ásia pode ter impactos positivos na economia global, especialmente nos EUA.
- A expectativa de uma "surpresa inflacionária" global pode alterar o cenário atual de juros nulos ou baixos.
- A equipe do IBRE alerta que o cenário atual de baixa inflação e juros pode não ser sustentável a longo prazo.
3. Key Information
- Inflação em setembro: Positiva, mas não indica uma recuperação robusta da atividade.
- PIB 2016T3: Crescimento de -1,6% (MsM), confirmando a continuidade da recessão.
- Desemprego: Aumentou pela oitava vez consecutiva, chegando a 11,8% no trimestre findo em agosto.
- Expectativas: O otimismo de mercado persiste, mas está desalinhado com a realidade da economia.
- Reforma fiscal: A PEC 241/16 é um passo fundamental para reduzir o desalinhamento entre gasto e receita.
- Cenário externo: Superávit comercial de US$ 48 bilhões em 2016, com risco de reversão se a economia crescer.
- Impactos internacionais: A desaceleração da deflação na Ásia pode ter efeitos positivos na economia global, especialmente nos EUA.
4. Conclusion
O Boletim destaca que, apesar de sinais de melhora nas expectativas, a realidade econômica brasileira ainda está em recessão, com desempenho fraco em atividade, inflação persistente e mercado de trabalho frágil. A desinflação está sendo impulsionada por fatores externos e a redução dos preços dos alimentos, mas não há indicação de uma recuperação rápida. A necessidade de reformas fiscais e de políticas que reduzam incertezas e promovam confiança é reforçada como uma condição essencial para a recuperação da economia.
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